O espetáculo Berenices utiliza as linguagens do teatro de animação e das máscaras para narrar a saga da pequena Berenice e seu encontro consigo mesma e com o mundo.
Diante da chegada de um irmão, a personagem inicia o aprendizado de perceber e lidar com seus pensamentos, sentimentos, medos, dificuldades e expectativa sobre os outros.
Berenice é uma menina curiosa, que se encanta com o mundo. Aprender e descobrir são coisas preciosas para ela. Mas quando começa a crescer e a entender as coisas, o que as pessoas falam e como o mundo conversa, ela percebe algo estranho. E essa estranheza começa aos pouquinhos...
O mundo é um lugar cheio de pessoas e cada pessoa é um mundo
Essa foi a ideia central que aqueceu o coração dos artistas envolvidos na criação do espetáculo. “Todos os criadores se identificam com esta menina, que ao crescer, começa a se deparar com um universo interno cheio de pulsões e um universo externo que reage e espera por determinadas atitudes e comportamentos. A pequena Berenice está na idade em que começa a perceber que o mundo não gira em torno dela e passa a perceber os outros. É nesse momento que ela começa a conhecer várias Berenices: a que tem raiva, a que tem medo, a destemida, a que cuida, a que quer ser cuidada, a egoísta, a generosa’, explica a diretora e dramaturga Verônica Gerchman.
Berenices fala de forma poética e lúdica sobre essa dinâmica rica que é a aventura interminável de descobrir quem somos e a nossa percepção sobre os outros. Para dar forma a esse espetáculo, a companhia escolheu o teatro de animação, mais conhecido como teatro de bonecos e a linguagem das máscaras.
“Faz parte dessas linguagens a possibilidade do duplo. Dessa forma, podemos concretizar as várias Berenices, que a pequena menina encontrará em sua saga de crescimento. Ainda se valendo da potência expressiva dessas linguagens teatrais que podem personificar através das esculturas criadas para cada uma das pulsões da menina. Podemos literalmente construir e corporificar esses sentimentos que assolam a personagem na confecção dos vários eus da Berenice”.
A dramaturgia do teatro de bonecos e das máscaras enriquece o texto original com possibilidades imagéticas e oníricas, criando um universo mágico, que pode romper com as leis da física, como a gravidade, ou tamanhos e proporções. “Podemos agigantar uma emoção incontrolável expandindo um corpo que pode ficar até do tamanho do palco se assim for o desejo e a necessidade cênica. Para nós, criadores, essa potência expressiva é o que desejamos alcançar. Poder traduzir em uma imagem toda a força de um sentimento, uma sensação”.
Apesar de o texto original possuir muitos diálogos, no espetáculo não há a utilização da palavra falada, sendo de suma importância as imagens e sensações criadas no palco através da gestualidade dos personagens, da música originalmente composta e da iluminação.
A peça aborda temas universais e atemporais. “Seus espectadores, tanto os adultos como as crianças se identificam com a nossa pequena e curiosa menina, em sua odisseia de ir ao encontro consigo própria e com o mundo ao seu redor. A arte tem a capacidade de sensibilizar o ser humano. Em tempos difíceis como esses em que vivemos, onde a forma é enaltecida e a essência esquecida, é sempre um ato de resistência se aventurar no sensível”, finaliza Verônica.
GRUPO MORPHEUS TEATRO
O grupo Morpheus Teatro foi criado em 2002. Desde então desenvolve sua pesquisa com as linguagens do teatro de animação, das máscaras e do teatro físico.
Apresenta seu repertório de espetáculos para adultos e para toda a família em teatros, instituições, espaços alternativos e escolas por todo o Brasil, além de participar de mostras e festivais de teatro nacionais e internacionais. Teve a honra de apresentar-se em países como Vietnam, Irlanda, Itália, Argentina, Chile e Colômbia.
O grupo foi laureado com prêmios Nacionais e internacionais, e contemplado com editais de montagem e circulação de espetáculos das secretarias de cultura municipal e estadual de São Paulo e do governo do Brasil. Ministra a oficina “A presença do ator no teatro de animação” onde introduz para atores jovens e adultos, profissionais ou amadores, interessados em artes cênicas, aos princípios da manipulação direta (técnica do teatro de animação onde os bonecos são conduzidos diretamente sem o uso de fios ou varas).
Ficha técnica
Autoria/Direção geral: Verônica Guerchman
Direção dos bonecos e máscaras João Araujo
Elenco Verônica Guerchman,João Araujo, Cassia Domingues, Daniela Boni e ZéAntonio do Carmmo
Voz da Berenice Lorini Domingues
Operação de luz e som Todo o grupo
Cenário, adereços e criação de bonecos João Araujo, Verônica Guerchman, Cassia Domingues, Daniela Boni e ZéAntonio do Carmmo
Pintura dos bonecos e máscaras Mavutsinim, Sergio Candido e João Araujo,
Trilha sonora original João Araujo,Daniela Boni e Mavutsinim
Figurinos Dalmir Rogério
Confecção dos figurinos Sandra Pestana e Noeme Costa
Painel final Lorini, Geovanna, Matheus, Orim, Rumi e Samuel
Produção executiva Deborah Corrêa
Fotos Lívia Gonzaga Bertuzzi, Karim Da Hora, Anna Maria Maiolino e Morpheus Teatro
Realização Grupo Morpheus Teatro
Lotação: 100 lugares
Distribuição de ingressos 1h antes na bilheteria da Cidade das Artes