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Março de 2018

dia 26, Segunda

Bel Kutner anuncia a vinda de ‘O Rei da Vela’ ao Rio, fala sobre o papel na novela e o autismo do filho

Publicado no Jornal O Globo I Blog da Marina Caruso
POR FERNANDA PONTES 26/03/2018 07:45

Ela perdeu a mãe, a atriz Dina Sfat, aos 18 anos. Há 30, acompanha o pai, o ator Paulo José, na luta contra o Parkinson. E, há 12, ajuda o filho Davi a ser feliz convivendo com as consequências de uma síndrome rara e ainda pouco conhecida no Brasil. Além disso, Bel Kutner, 46, é atriz, diretora artística da Cidade das Artes, escreve e produz peças de teatro. Como se não bastasse, faz mediação de debates, estuda o autismo e está sempre no maior alto astral. Na sexta (23), ela conversou com a repórter Fernanda Pontes.

Como foi essa negociação para trazer “O Rei da Vela” para o Rio?

“O Rei da vela” entrou em cartaz no ano passado, no aniversário de 50 anos (da montagem original do Teatro Oficina), em São Paulo. E o Zé Celso, que não consegue ficar parado, disse “temos que levar isso para o Rio logo porque a cidade está precisando de luz!”. Então, eu disse “vem para a Cidade das Artes” (risos). O palco é enorme, tem espaço para o cenário do Hélio Eichbauer, que é lindo de morrer. Mas eles não têm patrocínio nem dinheiro. É um teatro de guerrilha. Aliás, isso é fazer cultura no Brasil. Um desespero. As pessoas armam tudo na cara e na coragem. Nunca tivemos uma política cultural decente. E não existe país sem cultura, sem educação.
 

Como vai ser o financiamento?

Vamos abrir um crowdfunding hoje, e várias pessoas bacanas já estão se mobilizando. Teremos violões assinados por Caetano e Gil, obras de Chico Buarque, Adriana Varejão e Hamilton Vaz Pereira, entre outros... E a peça é pra já. Será no dia 14 de abril, numa curtíssima temporada de duas semanas.
 

Por que acha que esse é o momento de a peça vir para o Rio?

Porque é atual. Mostra como as coisas estão tortas, as pessoas ligadas nos seus interesses. Fala muito sobre violência também. Não só das pessoas que morrem diariamente, no caso do Rio, mas da violência moral e social. Dá até vontade de chorar (emociona-se). A morte de Marielle veio de forma avassaladora. Foi a coisa mais absurda que poderia acontecer. Um ato de ódio, de preconceito. Que imbecil comete uma atrocidade assim? A peça fala dessas pessoas desmascaradas. O Rei da Vela é um escroto.
 

O que achou da discussão dos ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes?

Admiro muito o Barroso já há algum tempo. Ele botou para fora tudo aquilo que eu queria falar para o Gilmar Mendes, mas não posso porque tomaria um processo tão grande que ele ia arrancar de mim um dinheiro que eu não tenho.


Você está há um ano na Cidade das Artes. Qual seu maior desafio?

Fazer as pessoas frequentarem este lugar incrível, esse centro cultural no meio da Barra que tem qualidades técnicas sem igual. Foram mais de 50 espetáculos.
 

Também está na novela “O outro lado do paraíso”...

É só uma participação. A Diva, minha personagem, veio resolver uma questão do passado. A Fernanda Montenegro é maravilhosa, tem uma intensidade incomparável. E esse papel é muito forte, comovente. Lendo os capítulos me peguei chorando.


Já disseram que você está a cara da sua mãe?

Tá todo mundo falando isso. Mas acho que tem uma produção também, o olho pintado, o cabelo com volume. É o estilo dela, uma coisa meio perua. Eu sou mais low profile.


A comparação a incomoda?

Não. Às vezes é engraçada. Em outras, desconcertante. Sou uma geminiana louca, né? Mas é um elogio maravilhoso. Ela era linda, excelente atriz, uma deusa, me dá um orgulho louco.


E está envolvida em outros projetos?

Numa peça infantil que vai estrear em São Paulo, “Missão supersecreta”. Estou germinando uma peça sobre autismo. Aliás, vou mediar uma mesa importantíssima no Dia Mundial do Autismo com o (neuropediatra) Carlos Gadia, referência no assunto.


Por que autismo?

Meu filho Davi (com o músico Fábio Mondengo) sofre de esclerose tuberosa, uma síndrome rara, que provocou o que chamamos de autismo secundário. Ele tem 12 anos, estuda numa escola acompanhado de uma mediadora. Vive uma fase instável e grudado comigo, só quer dormir junto. Quando saio à noite, é um horror. E não estou indo pra balada, é para o teatro mesmo. A vantagem é que ele adora a Cidade das Artes e Orquestra de Câmara.


De onde tira força para aguentar tudo isso?

Fazer exercício para mim é fundamental. Corro, caminho, danço, faço musculação. Já lutei até kung fu, sou adepta da medicina chinesa e adoro acupuntura. Também sou casada com Pedro (De Lamare, dono do Gula Gula) há quase nove anos, mas cada um na sua casa. Moderno né? Tem hora que sinto falta de alguém do meu lado para dar uma aporrinhada, mas é bom ter a novidade, a saudade... E tem dias que acordo com a macaca e me pergunto “o que esse homem está fazendo na minha cama?”


E como está seu pai?

Ele tá bem. Trata há de Parkinson há 30 anos. Acabou de fazer 81 anos. Escreve, sai comigo e, certamente, vai estar na estreia do “O Rei da vela" na Cidade das Artes. Já estou pensando em qual cadeira ele vai sentar.

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